Categoria: Artigos
Data: 16/06/2026

ATITUDES DE UM MINISTRO DO EVANGELHO
Texto Bíblico: 1 Tessalonicenses 2.1-12

No sentido atual, a palavra ministro costuma ser associada a alguém muito importante, que ocupa um cargo elevado, exerce liderança, possui influência e detém poder. Esse, porém, não é o sentido bíblico da palavra ministro.


A seguir estão três palavras usadas nas Escrituras, que se referem ao conceito de ministro:
Diakonos — Refere-se a um servo que atua para suprir as necessidades dos outros. É o garçom que serve às mesas.
Leitourgos — Refere-se àquele que realiza um serviço em benefício de uma coletividade. A palavra “liturgo”, utilizada para designar quem dirige o culto, deriva desse termo.
Huperetes — Refere-se aos escravos que remavam nos porões das galés romanas, uma atividade nada honrosa aos olhos humanos.


Todo discípulo de Cristo é também um ministro. Todo crente possui um ministério. Biblicamente, podemos afirmar que existe o ministério pastoral, exercido por aqueles que foram chamados especificamente, preparados formalmente e investidos oficialmente para essa função. Sem dúvida, trata-se de um chamado glorioso. Mas existe uma verdade ainda mais surpreendente: Todo crente tem um chamado, um ministério, ainda que não tenha sido formalmente treinado ou tenha outra ocupação.
Neste texto, Paulo descreve sua atuação como ministro do evangelho na cidade de Tessalônica. Ao fazê-lo, oferece um exemplo e um modelo para a nossa atuação ministerial. O evangelho motiva e molda o nosso ministério.


Quais são as atitudes de um ministro do evangelho?


I – Ousadia Confiante


“Irmãos, vocês sabem muito bem que a nossa chegada no meio de vocês não foi em vão. Pelo contrário, apesar de maltratados e insultados em Filipos, como vocês sabem, tivemos ousada confiança em nosso Deus para anunciar a vocês o evangelho de Deus, em meio a muita luta.” (vv. 1-2)


A visita a Tessalônica ocorreu durante a segunda viagem missionária de Paulo. Seu histórico já incluía perseguições, ameaças, calúnias, açoites e inúmeros enfrentamentos. O próprio apóstolo menciona a experiência em Filipos, onde ele e Silas foram presos e açoitados.


Em Tessalônica, Paulo teve a oportunidade de expor as Escrituras na sinagoga durante três sábados consecutivos. Isso resultou na conversão de muitos gregos piedosos. Contudo, os judeus, movidos por inveja, promoveram um tumulto que tornou impossível a permanência do apóstolo na cidade.
O ponto central é que perseguições, adversidades e lutas não foram capazes de deter o avanço do evangelho. Por isso Paulo afirma:
“Tivemos ousada confiança em nosso Deus para anunciar a vocês o evangelho de Deus, em meio a muita luta.”


A história da igreja confirma essa realidade. Como expressa uma conhecida canção cristã contemporânea: “A perseguição não parou a igreja”. Essa afirmação resume uma verdade observada ao longo dos séculos. Prisões, ameaças, impérios e sistemas hostis jamais conseguiram impedir o avanço do evangelho.
Mas para que essa realidade continue sendo experimentada, os ministros do evangelho — e isso inclui todos nós — precisam servir com ousadia confiante.
Você está fazendo isso?


Afirmações importantes:
  • A ousadia confiante deve produzir a superação dos nossos medos
  • A ousadia confiante deve promover uma proclamação corajosa em um mundo hostil.
  • A ousadia confiante deve interromper a inércia e gerar movimentos abençoadores.

É importante ressaltar que a ousadia de Paulo vinha de Deus. A Nossa Também.


II – Motivação Correta


Entre os versículos 3 e 6 encontramos várias afirmações que nos ajudam a identificar, filtrar e corrigir possíveis intenções inadequadas no exercício do nosso ministério, especialmente na proclamação da Palavra.


Em nossos dias esse assunto é muito sério. Sem querer parecer o “bonzinho” ou até mesmo estabelecer julgamentos errôneos, mas há muita gente explorando a fé cristã. Há muita gente se promovendo com o ministério. Há muita gente focada em si mesma. Há muita gente preocupada apenas com “likes”. Há muita gente se auto beneficiando do evangelho.


Mas isso não acontece apenas em contextos distantes. Pode acontecer em qualquer igreja. Pode acontecer em nosso próprio coração. Ocorre quando buscamos aplausos, elogios, destaque ou aprovação humana.
Paulo compartilha sua experiência justamente para oferecer princípios que orientem o nosso serviço.


O ministério deve ser exercido com a motivação correta.
  • Não com intenção impura. “Pois a nossa exortação não procede de erro ou intenção impura.” (v. 3). Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes: “Paulo pregou o evangelho puro, viveu uma vida pura e usou métodos puros.” Paulo não possui uma vida contraditória nem anuncia uma mensagem contraditória. Ele não mistura nem adultera o evangelho. Sua mensagem e suas intenções são puras.
  • Não para agradar pessoas. “Visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de ele nos confiar o evangelho, assim falamos, não para agradar as pessoas, e sim para agradar a Deus.” (v. 4). O foco de Paulo não era agradar pessoas. Ele não buscava popularidade. Seu objetivo era agradar a Deus. Esse ensinamento confronta qualquer tendência de adaptar a mensagem para satisfazer expectativas humanas. No exercício do nosso ministério, o objetivo principal deve ser agradar ao Senhor.
  • Não com linguagem de bajulação. “A verdade, como vocês sabem, é que nunca usamos de linguagem de bajulação.” (v. 5). Paulo afirma categoricamente que não era um bajulador. Segundo Grant R. Osborne: “O termo para bajulação, Kolakeia, refere-se a dizer coisas agradáveis sobre uma pessoa para obter benefícios, dinheiro ou influência.” Infelizmente, essa prática ainda é encontrada em muitos ambientes. No entanto, a bajulação jamais deve caracterizar um servo fiel.
  • Não para ganhar elogios. “Também jamais andamos buscando elogios das pessoas, nem de vocês, nem de outros.” (v. 6). Elogios podem ser encorajadores e até necessários em determinados contextos. Contudo, a busca por reconhecimento não deve motivar o nosso serviço. Ministros de Deus buscam a glória de Deus, não a própria promoção.


III – Cuidado Afetuoso


“Embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos ter feito exigências, preferimos ser carinhosos quando estivemos aí com vocês, assim como uma mãe que acaricia os próprios filhos. Assim, com muito afeto, estávamos prontos a lhes oferecer não somente o evangelho de Deus, mas até mesmo a própria vida, porque vocês se tornaram muito amados por nós.” (vv. 7-8)


Esses dois versículos são maravilhosos. Eles equilibram as coisas. Nessa dinâmica de compartilhamento e vivência do evangelho, a ousadia confiante e a motivação correta precisam ser complementadas pelo cuidado afetuoso. Isso também faz parte do ministério fiel e frutífero.


Por isso Paulo utiliza a figura de uma mãe. O apóstolo não possui apenas uma boca ousada para proclamar o evangelho. Ele também possui um coração afetuoso que constrói relacionamentos profundos onde o evangelho floresce.
A igreja precisa fazer missão com a boca e o coração, com a proclamação e a compaixão, com o anúncio da verdade e com o compartilhamento da vida.
A ousadia e a honestidade precisam ser acompanhadas de carinho e afeto na comunicação do evangelho. Uma abordagem raivosa não se mostra eficaz. “Onde o evangelho floresce, as pessoas compartilham suas próprias almas”. John Piper.


Pessoas impactantes compartilham suas vidas. Pense em alguém que impactou a sua vida. Foi alguém que simplesmente te entregou uma literatura? Paulo diz: a minha estada entre vocês foi como uma mãe que acaricia ou acalenta os seus filhos.


O que aprendemos com a metáfora da mãe?
  • A mãe ama incondicionalmente.
  • A mãe tolera pacientemente.
  • A mãe se sacrifica integralmente.
  • A mãe investe permanentemente.

Essas metáforas nos ajudam no exercício do nosso ministério.


IV – Exortação Firme


“E vocês sabem muito bem que tratamos cada um de vocês como um pai trata os seus filhos, exortando, consolando e admoestando vocês a viverem de uma maneira digna de Deus, que os chama para o seu Reino e a sua glória.” (vv. 11-12)


Para Paulo, a mãe representa o coração afetuoso e compreensivo. O pai, por sua vez, representa a postura firme e formadora.
O ministro de Deus precisa equilibrar essas duas dimensões.


Como observa Grant R. Osborne:
“Na família judaica a mãe tinha controle dos filhos até os 5 anos, e das filhas a um pouco mais, instruindo-as nas tarefas domésticas. Os pais instruíam os filhos após os 5 anos, educando-os na Torá e cada vez mais em suas carreiras, como carpinteiros, construtores de tendas etc”.


Nessa visão, a mãe tinha o papel de cuidar e o pai de treinar. Paulo diz que, em relação ao tessalonicenses ele assumiu esses dois papéis. Ele quer instruir a igreja a executar essas duas tarefas. Eles quer desafiar os ministros a fazerem o mesmo: cuidar e treinar. Esse é o jeito de exercer o ministério à luz do evangelho.

Cuidar tem a ver com investimentos existenciais e relacionais. Treinar tem a ver com investimentos funcionais e operacionais. Cuidar tem a ver com nutrir para o crescimento espiritual. Treinar tem a ver com preparar para o desempenho ministerial.


Paulo vive uma vida íntegra e tem um comportamento exemplar. O verso 10 é revelador. “Vocês e Deus são testemunhas de como nos portamos de maneira piedosa, justa e irrepreensível em relação a vocês, os que creem”. E isso o credencia a agir com a autoridade e a firmeza de um pai.


Paulo utiliza três verbos para descrever o papel do pai:
  • Exortar. Transmite a ideia de desafiar alguém a viver de maneira digna diante de Deus.
  • Consolar. Refere-se ao encorajamento necessário para perseverar no caminho da fé.
  • Admoestar. A palavra utilizada transmite a ideia de correção e confronto amoroso, conduzindo a pessoa a uma conduta apropriada.


O resultado disso é uma vida digna de Deus, atuante no Reino, que glorifica ao Senhor.


Essas são as atitudes de um ministro digno do evangelho: Ousadia confiante, Motivação correta, Cuidado afetuoso e Exortação firme. Esse é o modelo para o nosso ministério.




































































Tags: sermão

Autor: Pastor Marcos Jensen   |   Visualizações: 29 pessoas
Compartilhar: Facebook Twitter LinkedIn Whatsapp

Deixe seu comentário