Categoria: Artigos
Data: 25/06/2026

PROGREDINDO CADA VEZ MAIS (II)
Texto bíblico: 1 Tessalonicenses 4. 1-12

Quais são as marcas de uma igreja amorosa?


  1. É uma igreja acolhedora. Marcada por aceitação incondicional.
  2. É uma igreja misericordiosa. Marcada por compaixão pelo sofredor.
  3. É uma igreja onde as pessoas servem uns aos outros. Onde as pessoas estendem a mão e carregam os fardos uns dos outros.
  4. É uma igreja que valoriza e persegue a unidade. Onde as pessoas se respeitam e caminham juntas.
  5. É uma igreja disposta a perdoar. Onde as pessoas liberam perdão com facilidade.
  6. É uma igreja preocupada com a comunidade. Ela se importa e quer ser uma resposta para o mundo ao seu redor.
  7. É uma igreja generosa. Tem o coração, as portas e as mãos abertas. Tem um DNA de doação e não de retenção.

Assim como no ultimo artigo dessa série, fica a pergunta: estamos progredindo nisso? Estamos progredindo no desafio de ser uma igreja amorosa?
No texto em que vamos nos debruçando, Paulo foca a atenção em dois aspectos importantes, nos quais ele entende que os crentes de Tessalônica deveriam progredir: Na santidade e no amor. No ultimo artigo destacamos o aspecto da santidade. Neste, o amor.
Pouca coisa nesse mundo é mais deturpada, deteriorada, danificada, deformada do que o amor. Nesse quesito, nós nos distanciamos por demais do ideal divino. Perdemos totalmente a versão original e o padrão bíblico do amor.


Biblicamente entendemos que:
  • O amor nos identifica como discípulos de Cristo. Jo 13.35.
  • O amor é o dom supremo e o caminho mais excelente. 1 Co 13.1.
  • Se não tivermos amor não seremos nada. 1 Co 15. 2.
  • O amor é o vínculo da perfeição. Cl 3.14.
  • O amor cobre multidões de pecado. 1 Pe 4.8.
Nessa porção da palavra que queremos analisar nesse texto, Paulo nos estimula a progredir em mais uma área essencial da vida cristã.


II - Progredir no amor.


Entre os versículos 9 e 12 Paulo nos dá uma aula de bons relacionamentos, baseados no amor fraternal. A temática do amor vem aparecendo com frequência ao longo da carta. O nível de amor da igreja de Tessalônica era bom. Tanto que recebe elogios. No entanto, progredir era necessário.
Esse é o desafio constante da igreja. Sempre avançar, sempre melhorar, sempre se aperfeiçoar, sempre progredir. O tópico agora abordado por Paulo é o amor.


O que esse texto traz sobre o desafio de progredir no amor?


1 – A instrução para o amor.


“Quanto ao amor fraternal, não há necessidade de que eu lhes escreva, porque vocês mesmos foram instruídos por Deus a amar uns aos outros”. V 9.


A palavra grega usada aqui é Filadélfia, que significa amor fraternal. Há muitas igrejas, inclusive presbiterianas, que têm esse nome. É uma palavra bonita, que tem um significado profundo. Infelizmente muitas igrejas que têm esse nome não são marcadas exatamente por amor fraternal.
Mas veja como Paulo aborda esse assunto. Quanto ao amor fraternal, vocês já sabem, vocês já foram instruídos por Deus. Paulo está dizendo para aqueles crentes que há uma nova modalidade de amor no mundo. Um amor que tem origem em Deus, que é definido por Deus. Que é estabelecido por Deus. Um amor formatado pela instrução de Deus.


O mundo não conhecia esse tipo de amor. Convém citar uma informação muito relevante trazida pelo comentarista Grant R. Osborne: 


“O termo usado é peculiar (theodidaktoi), e muitos pensam que Paulo o usa para enfatizar que todas as verdades começam com Deus e tinham suas reais fontes nele”.


O amor fraternal, que deve ser vivido na igreja, é originado em Deus, exemplificado por Deus e ensinado pelo próprio Deus.
Então Paulo diz: nem é necessário que eu escreva muito sobre isso. É só praticar o que vocês já sabem. O grande diferencial da igreja de Tessalônica é que eles haviam sido instruídos por Deus sobre o amor. O problema é quando a instrução divina é ignorada.
Nós já sabemos sim. Mas é comum a gente ignorar o que já sabe. É comum a gente fazer o contrário do que já sabe. A gente sabe que tem que fazer exercícios, ter uma alimentação saudável, limitar o uso de telas, obedecer às leis de trânsito e não contrariar a mulher. E isso complica a nossa vida. Nós somos instruídos por Deus a amar uns aos outros. Ponto final.


2 – A prática do amor.


“E, na verdade, vocês já estão fazendo isso em relação a todos os irmãos em toda a Macedônia”. V 10a.


O amor ensinado e aprendido, precisa ser vivenciado e praticado. Não precisamos de definições melhores do amor. Não precisamos de uma infinidade de grandes histórias de amor. Não precisamos de mais filmes sobre o amor. Não precisamos de acrescentar novos discursos sobre o amor. Não precisamos nem de mais sermões sobre o amor. Só precisamos praticar o amor.
O amor fraternal tem que ser vivido no dia a dia. Ele deve reger os relacionamentos no contexto do corpo de Cristo. O amor fraternal deve determinar as nossas interações comunitárias. Deve orquestrar as nossas operações ministeriais. Devemos fazer tudo com amor. (1 Co 16.14). Acima de tudo deve estar o amor.


O amor bíblico. O amor no padrão divino é descrito na Escritura: “O amor é paciente e bondoso. O amor não arde em ciúmes, não se envaidece, não é orgulhoso, não se conduz de forma inconveniente, não busca os seus interesses, não se irrita, não se ressente do mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba”. 1 Co 13. 4-8a.


Voltando aos crentes de Tessalônica. Eles eram, de certa forma recém-convertidos. Mas já haviam avançado na prática do amor. Hoje, porém, podemos observar crentes velhos ou antigos que retrocederam na prática do amor. Perderam o ideal do amor. Tornaram-se menos amorosos e mais ranzinzas.
No início da carta Paulo havia destacado três coisas da igreja de Tessalônica: Fé operosa, amor abnegado e esperança firme. Os tessalonicenses estavam colocando o evangelho em ação, através da prática do amor.
Eles tinham entendido que o amor não é um mero sentimento. Eles haviam compreendido a dimensão sacrificial e comprometida do amor. O amor daqueles irmãos estava reverberando por toda a província da Macedônia. A profundidade do amor deles era famosa por toda a Macedônia.


Uma igreja onde o evangelho está em ação é marcada por atitudes práticas de amor que reverberam e impactam, tanto interna, quanto externamente. O amor da IPT está reverberando?


De que maneira o amor se manifesta de forma prática?
  • Através de boas obras. Compaixão. Misericórdia. Atos de serviço.
  • Através da hospitalidade. Acolhimento. Abertura do coração e da casa.
  • Através do cuidado. Engajamento no problema. Ajuda para a solução.
  • Através da doação. Investimento e compartilhamento de recursos.

3 – A exortação sobre o amor.


“Exortamos vocês a que progridam cada vez mais e se empenhem por viver tranquilamente, cuidar do que é de vocês e trabalhar com as próprias mãos, como ordenamos, para que vocês vivam com dignidade à vista dos de fora, e não venham a precisar de nada”. V 10b -12.


Paulo está elogiando o amor prático da igreja de Tessalônica, mas ele não deixa de exortar e desafiar ao progresso.
Esse texto é de difícil interpretação e compreensão. Até os peritos na exegese e hermenêutica têm dificuldade aqui. Porque parece que Paulo abandona um assunto e passa a falar de diversas coisas avulsas ou soltas.
Mas, na realidade, podemos concordar com o Rev. Hernandes, quando diz que tudo está interligado e que Paulo continua dando instruções sobre o amor.
  • O amor tem que ser progressivo. Por isso Paulo diz: “Exortamos a vocês que progridam cada vez mais”. Não parem de amar. Não deixem de amar. Não interrompam o crescimento do amor. Não fechem o fluxo do amor. O amor tem que ser resiliente, ininterrupto, ilimitado. O amor tem que ser eterno não apenas enquanto dure.
  • O amor tem que ser responsável. Agora Paulo diz assim: “se empenhem por viver tranquilamente, cuidar do que é de vocês e trabalhar com as próprias mãos”. O amor é responsável. O amor é produtivo. O amor é organizado, cuidadoso, consciente. O amor não é folgado. O amor sabe o limite. Ele não invade a privacidade. O amor não se aproveita do outro. O amor é abnegado e sacrificial.
  • O amor produz bom testemunho. “Para que vocês vivam com dignidade à vista dos de fora, e não venham a precisar de nada”. O amor é digno e produz uma vida digna. O amor resulta em bom testemunho. O amor fala por si mesmo. O amor comunica muito mais do que discursos. O amor supre todas as carências de modo que não temos falta de nada. O amor é provedor. O amor gera um estado de suficiência.


Cristo é o grande modelo de santidade e amor que devemos imitar. Alguém que foi separado para cumprir plenamente a vontade do Pai. Alguém que amou de forma sacrificial até o fim. Quer saber o que é amor? Olhe para Cristo. Ele é a personificação do amor. Imite-o.


A nossa igreja está progredindo? Você está progredindo? Estamos progredindo na santidade? Estamos progredindo no amor?


Autor: Pastor Marcos Jensen   |   Visualizações: 89 pessoas
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